O povo brasileiro precisa recuperar a esperança - pela apuração da verdade dos fatos, pela restituição dos bens públicos subtraídos – numa colaboração eficaz para a real purificação de nossas instituições.
Os intelectuais se calaram. Os artistas de antigamente que iriam aos rádios, as emissoras de tv protestar sobre isso parece que não existe mais, só pensam mesmo é em ganhar dinheiro. E nós? Permanecemos ainda conformados com tudo isso.
Muitos dizem: “é assim mesmo!” ou, “fazer o que ‘né’?”; ou mesmo tiram piadas sobre a situação desmerecedora que passam. Político bom, para muitos da população brasileira, que não tem o mínimo de senso critico é aquele que investe em carnaval fora de época e se esquece do saneamento; é aquele que dá cesta básica e por outro lado passam mais de 300 dias de fome; é aquele que enrola e diz que vai fazer e na verdade não fazem nada. Infelizmente a maioria do povo brasileiro não tem uma cultura crítica para saber o que é certo e o que é errado. É uma cultura conformista. Contudo, somos um povo que sobrevive a muitas crises.
Mas do que adianta? Se ficarmos calados em meio a tantos aparatos que dá para rir de nós mesmos. É mais vantagem assistir Realitys Shows que o povo fica comentando.
É assim que eles querem, construir e permanecer com um país sem senso crítico e que a população não tenha poder também.
Sempre demonstro que sou indignado com a política em nosso país, mas acredito numa utopia, onde, viveremos em um Brasil melhor em senso crítico. Feliz da nação que seus cidadãos tem um senso crítico.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Texto Miguel Falabella
SAUDADES DA GUANABARAA falência do ensino público causou-nos um estrago tão grande que vamos precisar de tempo para recuperar a palavraEm algum lugar entre o sonho e a realidade, numa zona que a medicina ainda não conseguiu entender, alguém me entrega uma frase estranha: por toda parte floresciam os abricós-de-macaco. Quase uma mensagem secreta, trazida de além-mar, numa trama de espionagem, eu penso e, ato contínuo, começo a abrir os olhos. Por toda parte floresciam os abricós-de-macaco. Um novelista romântico a passeio pela cidade talvez tenha decidido fazer-me um agrado e, na busca pelo remetente, eu finalmente acordo de vez com as palavras brincando no fundo dos olhos e, mais à frente, a imagem da árvore espelhada na retina. Acordo também com vontade de ver outra vez um pé de abricó-de-macaco exibindo sua exuberância na floração, mas pulo da cama, pois o dia me chama. Mais tarde eu procuro uma imagem na rede e exercito meu platonismo cotidiano, eu penso. Mais tarde.
A frase, entretanto, continua comigo, exigindo ser usada quanto antes e, convenhamos, construir uma crônica ao redor dela me parece uma tarefa mais simples do que colocá-la na boca de alguma personagem que, para entrar em cena e dizer eu lembro que por toda parte floresciam os abricós-de-macaco...vai-me exigir um equilíbrio delicado, já que trata-se de uma espécie amazônica e, se florescem por toda parte, eu acredito que a comédia, ou drama, deva se passar no Norte. Ou talvez ela pudesse ser dita numa cena de adeus, filmada naquela minha enseada da infância, com a luz perfeita que havia então. A personagem estenderia o olhar acompanhando a curva sinuosa da praia e diria: eu lembro que por toda parte floresciam os abricós-de-macaco. Não. Pensando bem, ela vai ser usada numa crônica. Uma crônica da memória, já que a imagem vem do passado, e também uma crônica de verão, já que é nesta estação que a árvore floresce com mais luxúria. Uma crônica da Guanabara, eu decido:
Eu estudava no Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na rua Pio Dutra, na Ilha do Governador, com aquele uniforme de então, camisa cáqui, calça azul e o escudo costurado no bolso, com os golfinhos da insígnia em baixo relevo. Um colégio que tinha sido modelo do Estado da Guanabara, vale a pena acrescentar. Tínhamos um excelente ensino. E então vieram os anos 70 e a educação pública brasileira começou a ruir, sem que ninguém mexesse um dedo para deter o estrago que se fazia na população. Junto com o resto da nação, a classe média carioca, que sempre colocou os filhos nos bons colégios que o Estado oferecia (porque é assim que deve ser), começou a fazer das tripas coração para pagar as escolas particulares, na tentativa de dar uma formação decente à prole, pois é esse o desejo de todo pai e toda mãe do planeta. Dar à cria uma chance de sobrevivência, enfim. A falência do ensino público causou-nos um estrago tão grande que, mesmo que se tome alguma iniciativa eficaz neste sentido, ainda vamos precisar de muito tempo para recuperar a palavra e seus tantos sentidos.
Acredito que nossa presidente conhece a importância da educação na vida dos povos e certamente tomará medidas que deem oportunidades iguais a todos, tal qual tínhamos num passado não tão remoto, quando floresciam por toda parte os abricós-de-macaco, guardados intactos nos arquivos de um jovem escritor.
A frase, entretanto, continua comigo, exigindo ser usada quanto antes e, convenhamos, construir uma crônica ao redor dela me parece uma tarefa mais simples do que colocá-la na boca de alguma personagem que, para entrar em cena e dizer eu lembro que por toda parte floresciam os abricós-de-macaco...vai-me exigir um equilíbrio delicado, já que trata-se de uma espécie amazônica e, se florescem por toda parte, eu acredito que a comédia, ou drama, deva se passar no Norte. Ou talvez ela pudesse ser dita numa cena de adeus, filmada naquela minha enseada da infância, com a luz perfeita que havia então. A personagem estenderia o olhar acompanhando a curva sinuosa da praia e diria: eu lembro que por toda parte floresciam os abricós-de-macaco. Não. Pensando bem, ela vai ser usada numa crônica. Uma crônica da memória, já que a imagem vem do passado, e também uma crônica de verão, já que é nesta estação que a árvore floresce com mais luxúria. Uma crônica da Guanabara, eu decido:
Eu estudava no Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na rua Pio Dutra, na Ilha do Governador, com aquele uniforme de então, camisa cáqui, calça azul e o escudo costurado no bolso, com os golfinhos da insígnia em baixo relevo. Um colégio que tinha sido modelo do Estado da Guanabara, vale a pena acrescentar. Tínhamos um excelente ensino. E então vieram os anos 70 e a educação pública brasileira começou a ruir, sem que ninguém mexesse um dedo para deter o estrago que se fazia na população. Junto com o resto da nação, a classe média carioca, que sempre colocou os filhos nos bons colégios que o Estado oferecia (porque é assim que deve ser), começou a fazer das tripas coração para pagar as escolas particulares, na tentativa de dar uma formação decente à prole, pois é esse o desejo de todo pai e toda mãe do planeta. Dar à cria uma chance de sobrevivência, enfim. A falência do ensino público causou-nos um estrago tão grande que, mesmo que se tome alguma iniciativa eficaz neste sentido, ainda vamos precisar de muito tempo para recuperar a palavra e seus tantos sentidos.
Acredito que nossa presidente conhece a importância da educação na vida dos povos e certamente tomará medidas que deem oportunidades iguais a todos, tal qual tínhamos num passado não tão remoto, quando floresciam por toda parte os abricós-de-macaco, guardados intactos nos arquivos de um jovem escritor.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
CORAGEM SEMPRE!
Você se considera uma pessoa de coragem? E, se tem coragem, também tem força o bastante para suportar os desafios da caminhada? Em muitas ocasiões da vida, não sabemos avaliar o que realmente necessitamos: se de força ou de coragem. E há momentos em que precisamos das duas virtudes conjugadas. Há situações que nos exigem muita força, mas há horas em que a coragem se faz mais necessária. Eis aqui alguns exemplos: É preciso ter força para ser firme, mas é preciso coragem para ser gentil. É preciso ter força para se defender, mas é preciso coragem para não revidar. É preciso ter força para ganhar uma guerra, mas é preciso coragem para se render. É preciso ter força para estar certo, mas é preciso coragem para admitir a dúvida ou o erro. É preciso ter força para manter-se em forma, mas é preciso coragem para ficar de pé. É preciso ter força para sentir a dor de um amigo, mas é preciso coragem para sentir as próprias dores. É preciso ter força para esconder os próprios males, mas é preciso coragem para demonstrá-los. É preciso ter força para suportar o abuso, mas é preciso coragem para faze-lo parar. É preciso ter força para fazer tudo sozinho, mas é preciso coragem para pedir apoio. É preciso força para enfrentar os desafios que a vida oferece, mas é preciso coragem para admitir as próprias fraquezas. É preciso força para buscar o conhecimento, mas é preciso coragem para reconhecer a própria ignorância. É preciso força para lutar contra a desonestidade, mas é preciso coragem para resistir às suas investidas. É preciso força para enfrentar as tentações, e é preciso coragem para não cair nas suas armadilhas. É preciso ter força para gritar contra a injustiça, mas é preciso muita coragem para ser justo. É preciso força para pregar a verdade, mas é preciso coragem para ser verdadeiro. É preciso força para levantar a bandeira da paz, mas é preciso coragem para construí-la na própria intimidade. É preciso ter força para falar, mas é preciso coragem para se calar. É preciso força para lutar contra a insensatez, mas é preciso coragem para ser sensato. É preciso ter força para defender os bens materiais, mas é preciso coragem para preservar o patrimônio moral. É preciso ter força para amar, mas é preciso coragem para ser amado. É preciso ter força para sobreviver, mas é preciso coragem para aprender a viver. Enfim, é preciso ter muita força para enfrentar as batalhas do dia-a-dia, mas é preciso muita coragem moral, para vencer-se a si mesmo. Força e coragem: duas virtudes com as quais podemos conquistar grandes vitórias. E a maior delas é a vitória sobre as próprias imperfeições. *** A coragem de vencer-se antes que pretender vencer o próximo, de desculpar antes que esperar ser desculpado e de amar apesar das decepções e desencantos, revela o verdadeiro cristão, o legítimo homem de valor. Por essa razão a coragem é calma, segura, fonte geradora de equilíbrio que alimenta a vida e eleva o ser aos altos cumes da glória e da felicidade total.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Melhore seu Bairro
Ideias para melhorar seu bairro em 2011
1. Aproveite seu bairro e sua cidade. Viver em uma comunidade tem a vantagem de proporcionar acesso a recursos e serviços que seriam impossíveis de se obter em uma casa isolada ou bairro afastado. Conheça as atividades que seu bairro ou cidade oferece e comece a aproveitá-las. Conhecer e apreciar o lugar onde se vive é o primeiro passo para transformá-lo.
2. Compre localmente. Quando deixamos nosso dinheiro em mercadinhos, sacolões, padarias e outros comércios do bairro, em vez de transferi-lo às grandes corporações donas de supermercados, contribuímos para melhorar a vida de nossos vizinhos e damos apoio a estas pequenas lojas, que sempre nos tiram de apuros. Este ano, proponha-se a obter de seu bairro a maior quantidade de produtos e serviços possível.
3. Conheça seus vizinhos. Em cidades menores, ainda resiste o costume de conhecer e ajudar os vizinhos, mas nas grandes cidades, muitas vezes impera o isolamento entre as pessoas. É claro que não sugerimos que você toque a campainha e se apresente a cada um de seus vizinhos, mas pode começar a cumprimentar os que encontra pela rua e entabular conversas, comentando ideias ou preocupações sobre o bairro. A construção de vínculos permite que possam se ajudar mutuamente.
4. Envolva-se com associações e espaços locais. Igrejas, escolas, clubes, centros culturais: estes espaços muitas vezes reúnem pessoas envolvidas no desenvolvimento do bairro, que podem ser grandes aliadas na realização de projetos. Estabeleça contato com as associações de seu bairro e descubra como pode participar.
5. Aumente a participação destas instituições em ações locais. Se você já integra uma associação de bairro, discuta o que fazer para melhorar o entorno. Por exemplo, sugira a uma escola plantar uma horta ou consertar os bancos de uma praça.
6. Embeleze o bairro. Seja sozinho, com um grupo de vizinhos ou em uma instituição, procure embelezar alguma parte do bairro onde vive. Pode ser pintar uma parede que esteja muito suja, plantar canteiros ou simplesmente fazer um controle para que sua quadra fique sempre limpa e sem lixo.
7. Informe sobre as irregularidades. Se em seu bairro existe alguma estrutura perigosa, os brinquedos de uma praça precisam de manutenção ou você notar qualquer outra regularidade, informe a subprefeitura. Muitas vezes, as queixas demoram para ser atendidas, mas às vezes, os consertos acabam sendo realizados em menos tempo do que você espera.
8. Contate as autoridades locais. Uma forma de se envolver mais profundamente com o desenvolvimento de seu bairro é relacionar-se com as autoridades locais. A participação cidadã em associações de bairro junto às subprefeituras é uma ótima saída.
1. Aproveite seu bairro e sua cidade. Viver em uma comunidade tem a vantagem de proporcionar acesso a recursos e serviços que seriam impossíveis de se obter em uma casa isolada ou bairro afastado. Conheça as atividades que seu bairro ou cidade oferece e comece a aproveitá-las. Conhecer e apreciar o lugar onde se vive é o primeiro passo para transformá-lo.
2. Compre localmente. Quando deixamos nosso dinheiro em mercadinhos, sacolões, padarias e outros comércios do bairro, em vez de transferi-lo às grandes corporações donas de supermercados, contribuímos para melhorar a vida de nossos vizinhos e damos apoio a estas pequenas lojas, que sempre nos tiram de apuros. Este ano, proponha-se a obter de seu bairro a maior quantidade de produtos e serviços possível.
3. Conheça seus vizinhos. Em cidades menores, ainda resiste o costume de conhecer e ajudar os vizinhos, mas nas grandes cidades, muitas vezes impera o isolamento entre as pessoas. É claro que não sugerimos que você toque a campainha e se apresente a cada um de seus vizinhos, mas pode começar a cumprimentar os que encontra pela rua e entabular conversas, comentando ideias ou preocupações sobre o bairro. A construção de vínculos permite que possam se ajudar mutuamente.
4. Envolva-se com associações e espaços locais. Igrejas, escolas, clubes, centros culturais: estes espaços muitas vezes reúnem pessoas envolvidas no desenvolvimento do bairro, que podem ser grandes aliadas na realização de projetos. Estabeleça contato com as associações de seu bairro e descubra como pode participar.
5. Aumente a participação destas instituições em ações locais. Se você já integra uma associação de bairro, discuta o que fazer para melhorar o entorno. Por exemplo, sugira a uma escola plantar uma horta ou consertar os bancos de uma praça.
6. Embeleze o bairro. Seja sozinho, com um grupo de vizinhos ou em uma instituição, procure embelezar alguma parte do bairro onde vive. Pode ser pintar uma parede que esteja muito suja, plantar canteiros ou simplesmente fazer um controle para que sua quadra fique sempre limpa e sem lixo.
7. Informe sobre as irregularidades. Se em seu bairro existe alguma estrutura perigosa, os brinquedos de uma praça precisam de manutenção ou você notar qualquer outra regularidade, informe a subprefeitura. Muitas vezes, as queixas demoram para ser atendidas, mas às vezes, os consertos acabam sendo realizados em menos tempo do que você espera.
8. Contate as autoridades locais. Uma forma de se envolver mais profundamente com o desenvolvimento de seu bairro é relacionar-se com as autoridades locais. A participação cidadã em associações de bairro junto às subprefeituras é uma ótima saída.
domingo, 16 de janeiro de 2011
A miséria Humana
O homem é habitualmente apontado como o rei da Criação. Ele sobrepuja o restante dos habitantes do planeta. Animais muito fortes e perigosos são domados e vencidos pelo engenho humano. Inteligente e dotado de múltiplos talentos, o homem moderno constitui o ápice de uma longa jornada evolutiva. Uma retrospectiva histórica revela o quanto a raça humana se aprimorou no curso dos séculos. Doenças que no passado dizimaram populações inteiras, hoje não mais assustam. Meios relativamente modernos de comunicação, como Rádio, TV e Internet, revolucionam os costumes. Mas os recursos da modernidade são freqüentemente mal utilizados. Na TV, preponderam programas com conteúdo vulgar e sensacionalista. A violência e a sexualidade desregrada são endeusadas em filmes e novelas. São freqüentes as notícias sobre corrupção e crueldades. A rigor, permanece angustiante o estágio moral da Humanidade. As enfermidades e as dores são inerentes à vida material. Todo corpo humano mais cedo ou mais tarde se desgasta e se extingue. A ciência avança e torna menos atrozes as dores, mas não logrará converter em imortal nenhum organismo material. É compreensível a tristeza que suscita a morte de alguém querido. Mas isso está de acordo com as leis da natureza e em geral não causa escândalo. O que realmente gera tristeza são as crueldades e baixezas que os seres humanos freqüentemente se permitem. Quem poderá aquilatar a desolação de um pai ao saber que seu filho tornou-se criminoso? Assim, embora a evolução intelectual e científica dos últimos tempos, a Humanidade continua miserável em muitos aspectos. A genuína nobreza é bastante rara. Bondade, generosidade e pureza são características bem pouco usuais. A ampla maioria dos homens chafurda em vícios e paixões. Preocupados com seus gozos e interesses, pouco se importam com os estragos que causam na vida do próximo. Não falta quem afirme que a raça humana desmente a bondade de Deus. Se Deus é infinitamente bondoso, tudo pode e sabe, por que fez o homem tão miserável, sob o prisma moral? Contudo, é preciso ter em mente que a Humanidade toda não se acha representada na Terra. Não é possível aferir o caráter de um povo a partir da população de uma penitenciária. A análise da saúde de uma comunidade também não pode ser aquilatada a partir dos internados em um hospital. Quem fizesse tal análise, concluiria que todos os habitantes do país são doentes ou criminosos. O mesmo ocorre quando se toma por padrão a conduta dos habitantes da Terra em relação à totalidade da Criação. Os Espíritos ensinam serem infinitos os mundos habitados. A Terra é dos mundos menos evoluídos e por isso constitui morada de seres moralmente atrasados. Ela funciona à semelhança de um hospital e de um presídio e abriga Espíritos rebeldes e viciosos. Os seres altamente moralizados que, por vezes, aqui aportam estão em missão, à semelhança de médicos em um hospital. Quem consegue libertar-se de vícios e paixões e se acerta com as Leis Divinas segue para mundos de paz e regeneração. Saiba que está em suas mãos conquistar sua libertação. Dedique-se a domar seu egoísmo e suas paixões. Experimente a ventura de agir com honestidade, pureza e bondade e incorpore esse modo de vida em seu caráter. A Justiça Divina é infalível e logo o conduzirá a locais compatíveis com a sua realidade íntima. Então, você mudará de idéia a respeito da miséria humana. Compreenderá que ela é como uma enfermidade. Causa algumas dores, mas passa, quando corajosamente combatida.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
sábado, 11 de dezembro de 2010
Midia,homofobia e liberdade de expressão
Os recentes atentados ocorridos na avenida Paulista, em São Paulo, fruto do preconceito contra homossexuais, mereceu destaque da imprensa, sobretudo a paulistana, por inúmeros motivos. Em primeiro lugar, eles foram cometidos por jovens da classe média, alguns menores de idade, de maneira covarde, sem chance alguma de defesa por parte das vítimas. Para um país mergulhado na violência, atos tão insensatos e perpetrados de forma tão torpe não poderiam mesmo ficar sem menção. Em segundo lugar, foram devidamente documentados por câmeras instaladas em edifícios nos locais da agressão e confirmados pelo depoimento de inúmeras testemunhas, o que permitiu a sua exibição com alarde nos principais telejornais. Dar destaque à violência é uma tônica da imprensa brasileira e este comportamento inclui desde os jornais e programas sensacionalistas até os telejornais e veículos considerados de "boa família". Em terceiro lugar, porque existe, felizmente, uma mobilização da sociedade e principalmente de grupos organizados no sentido de condenar veementemente a afronta aos direitos humanos e a discriminação de qualquer ordem. Ignorar esta pressão não tem sido possível, ainda que editores, repórteres e empresários da comunicação insistam em viabilizar pautas e em estampar manchetes que contribuem para aumentar o preconceito.
Mas a atenção dedicada pela mídia a estas ocorrências não significa, muito pelo contrário, que ela esteja comprometida com a luta contra a homofobia porque, na prática, ela tem se comportado, contraditoriamente, particularmente no que diz respeito à problemática homossexual.
A postura dos meios de comunicação tem sido de hipocrisia porque, em geral, eles praticam o velho jogo de "dar com uma mão e tirar com a outra", ou seja, fingem estar sensibilizados com a questão, mas estimulam, irresponsavelmente, o preconceito, criando estereótipos para caracterizar os homossexuais.
Esta situação pode ser percebida nas reportagens, onde gays e lésbicas são retratados de maneira pejorativa, com fotos e expressões que apenas reforçam o preconceito, mas é contundente, é dramática quando se observam determinados espaços nos meios de comunicação, como as caricaturas na mídia impressa e os programas humorísticos no rádio e na televisão. Os homossexuais são, invariavelmente, ridicularizados, contemplados a partir de alguns traços (fala, vestuário, gestos etc), tidos como seres estranhos, moral e socialmente desequilibrados.
Apesar disso, empresários da comunicação e editores esforçam-se para impedir que o congresso brasileiro vote e aprove projeto de lei (há um em tramitação no Senado) que criminaliza a homofobia e suas manifestações, alegando ( o argumento é o mesmo de sempre) que ele atenta contra a liberdade de expressão.
Temos repetidamente denunciado o cinismo da mídia que, com a cumplicidade de agências, anunciantes, tenta barrar ações para regular a veiculação de determinados temas (propaganda de bebidas, de alimentos não saudáveis etc) buscando fazer com que interesses privados prevaleçam sobre o interesse público. Embora estejam pouco interessados na liberdade de expressão, os meios de comunicação apóiam-se nela para garantir a manutenção de seus privilégios e os seus lucros abusivos. No caso dos homossexuais, é claro que a intenção é continuar impune diante de sucessivas manifestações homofóbicas, como se a sociedade lhes tivesse concedido o direito de agir desta forma, o que é absolutamente falso.
O preconceito contra a "orientação sexual" precisa ser visto como o preconceito contra as minorias, o ético, o religioso, o racial etc e a legislação deve ser clara a este respeito para evitar que abusos sejam cometidos em nome de uma falsa liberdade de expressão. Assim como não se tolera a discriminação, de qualquer forma, contra os negros, os indígenas e os espíritas, por exemplo, não deve ser tolerada a discriminação contra os homossexuais e toda manifestação que consolide e estimule este preconceito deve ser punida exemplarmente.
A mídia costuma julgar, muitas vezes no seu tribunal exclusivo sem direito à defesa, organizações, governos e pessoas em função de seus atos, criando inclusive rankings de empresas socialmente responsáveis, mas se arrepia toda quando a sua postura é colocada na berlinda. Exige responsabilidade social, mas a afronta a cada momento, quando age preconceituosamente, como no caso da imposição de um estereótipo negativo para os homossexuais.
Ela é irresponsável porque não percebe a influência que esta "imagem distorcida" tem junto a determinados segmentos da população, notadamente entre crianças e jovens, o que pode ser percebido nas agressões continuadas contra homossexuais.
Ela ignora o fato de que os casos de homofobia tem crescido consideravelmente na internet, como atesta levantamento recente da ONG SaferNet. Segundo esta organização, as denúncias de conteúdo homofóbico na web, apenas nos 10 primeiros meses deste ano, representaram quase 5.000 queixas, 88% superior ao observado no mesmo período de 2009. O Twitter , o Orkut e outras redes sociais estão contaminados por manifestações homofóbicas ("Matem os travecos", "Eu odeio gays" etc) e elas contribuem (os empresários da comunicação são capazes de negar isso?) para formar novas legiões de agressores no futuro.
A Secretaria dos Direitos Humanos, a OAB, o Conselho de Psicologia e outras entidades e organizações, além das comprometidas com a livre expressão da sexualidade, precisam cerrar fileiras para que estes abusos não permaneçam, convocando outras áreas e setores nesta luta contra o preconceito.
É fundamental que os profissionais da mídia que atuam nos meios de comunicação se conscientizem da necessidade de respeitar a diversidade e que as universidades que os formam iniciem este debate internamente para que tenhamos no futuro uma mídia socialmente responsável.
Quanto aos responsáveis pelos programas de humor, os redatores preconceituosos que insistem em reforçar a homofobia, sugerimos uma pressão constante, uma cobrança cívica, com o objetivo de evidenciar o efeito nefasto de seu humor inconseqüente.
Ridicularizar os homossexuais em programas humorísticos não tem graça alguma e só contribui para estimular a violência. Tratar os homossexuais como seres de outro planeta não é sinal de inteligência e a mídia "emburrece" toda vez que age assim. Quando a imprensa não se autoregula para evitar desvios e abusos, é essencial que a sociedade tome a iniciativa e, por isso, a relevância do projeto de lei em tramitação no Senado.
Está na hora de acabar com esta brincadeira de mau gosto. Respeitemos a diversidade. Repudiar a homofobia é passo importante para construir a verdadeira democracia em nosso país.
* Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor da UMESP e da USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa. Editor de 4 sites temáticos e de 4 revistas digitais de comunicação.
Mas a atenção dedicada pela mídia a estas ocorrências não significa, muito pelo contrário, que ela esteja comprometida com a luta contra a homofobia porque, na prática, ela tem se comportado, contraditoriamente, particularmente no que diz respeito à problemática homossexual.
A postura dos meios de comunicação tem sido de hipocrisia porque, em geral, eles praticam o velho jogo de "dar com uma mão e tirar com a outra", ou seja, fingem estar sensibilizados com a questão, mas estimulam, irresponsavelmente, o preconceito, criando estereótipos para caracterizar os homossexuais.
Esta situação pode ser percebida nas reportagens, onde gays e lésbicas são retratados de maneira pejorativa, com fotos e expressões que apenas reforçam o preconceito, mas é contundente, é dramática quando se observam determinados espaços nos meios de comunicação, como as caricaturas na mídia impressa e os programas humorísticos no rádio e na televisão. Os homossexuais são, invariavelmente, ridicularizados, contemplados a partir de alguns traços (fala, vestuário, gestos etc), tidos como seres estranhos, moral e socialmente desequilibrados.
Apesar disso, empresários da comunicação e editores esforçam-se para impedir que o congresso brasileiro vote e aprove projeto de lei (há um em tramitação no Senado) que criminaliza a homofobia e suas manifestações, alegando ( o argumento é o mesmo de sempre) que ele atenta contra a liberdade de expressão.
Temos repetidamente denunciado o cinismo da mídia que, com a cumplicidade de agências, anunciantes, tenta barrar ações para regular a veiculação de determinados temas (propaganda de bebidas, de alimentos não saudáveis etc) buscando fazer com que interesses privados prevaleçam sobre o interesse público. Embora estejam pouco interessados na liberdade de expressão, os meios de comunicação apóiam-se nela para garantir a manutenção de seus privilégios e os seus lucros abusivos. No caso dos homossexuais, é claro que a intenção é continuar impune diante de sucessivas manifestações homofóbicas, como se a sociedade lhes tivesse concedido o direito de agir desta forma, o que é absolutamente falso.
O preconceito contra a "orientação sexual" precisa ser visto como o preconceito contra as minorias, o ético, o religioso, o racial etc e a legislação deve ser clara a este respeito para evitar que abusos sejam cometidos em nome de uma falsa liberdade de expressão. Assim como não se tolera a discriminação, de qualquer forma, contra os negros, os indígenas e os espíritas, por exemplo, não deve ser tolerada a discriminação contra os homossexuais e toda manifestação que consolide e estimule este preconceito deve ser punida exemplarmente.
A mídia costuma julgar, muitas vezes no seu tribunal exclusivo sem direito à defesa, organizações, governos e pessoas em função de seus atos, criando inclusive rankings de empresas socialmente responsáveis, mas se arrepia toda quando a sua postura é colocada na berlinda. Exige responsabilidade social, mas a afronta a cada momento, quando age preconceituosamente, como no caso da imposição de um estereótipo negativo para os homossexuais.
Ela é irresponsável porque não percebe a influência que esta "imagem distorcida" tem junto a determinados segmentos da população, notadamente entre crianças e jovens, o que pode ser percebido nas agressões continuadas contra homossexuais.
Ela ignora o fato de que os casos de homofobia tem crescido consideravelmente na internet, como atesta levantamento recente da ONG SaferNet. Segundo esta organização, as denúncias de conteúdo homofóbico na web, apenas nos 10 primeiros meses deste ano, representaram quase 5.000 queixas, 88% superior ao observado no mesmo período de 2009. O Twitter , o Orkut e outras redes sociais estão contaminados por manifestações homofóbicas ("Matem os travecos", "Eu odeio gays" etc) e elas contribuem (os empresários da comunicação são capazes de negar isso?) para formar novas legiões de agressores no futuro.
A Secretaria dos Direitos Humanos, a OAB, o Conselho de Psicologia e outras entidades e organizações, além das comprometidas com a livre expressão da sexualidade, precisam cerrar fileiras para que estes abusos não permaneçam, convocando outras áreas e setores nesta luta contra o preconceito.
É fundamental que os profissionais da mídia que atuam nos meios de comunicação se conscientizem da necessidade de respeitar a diversidade e que as universidades que os formam iniciem este debate internamente para que tenhamos no futuro uma mídia socialmente responsável.
Quanto aos responsáveis pelos programas de humor, os redatores preconceituosos que insistem em reforçar a homofobia, sugerimos uma pressão constante, uma cobrança cívica, com o objetivo de evidenciar o efeito nefasto de seu humor inconseqüente.
Ridicularizar os homossexuais em programas humorísticos não tem graça alguma e só contribui para estimular a violência. Tratar os homossexuais como seres de outro planeta não é sinal de inteligência e a mídia "emburrece" toda vez que age assim. Quando a imprensa não se autoregula para evitar desvios e abusos, é essencial que a sociedade tome a iniciativa e, por isso, a relevância do projeto de lei em tramitação no Senado.
Está na hora de acabar com esta brincadeira de mau gosto. Respeitemos a diversidade. Repudiar a homofobia é passo importante para construir a verdadeira democracia em nosso país.
* Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor da UMESP e da USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa. Editor de 4 sites temáticos e de 4 revistas digitais de comunicação.
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